segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

HEITOR DOS PRAZERES UM COMPOSITOR DE AXÉ

HEITOR DOS PRAZERES UM COMPOSITOR DE AXÉ

((Rosana Pinheiro e Carlos Augusto Pinheiro )

Quem nunca ouviu no terreiro aquele popular ponto da Oxum , intitulado como Mamãe Oxum : “Ai ieieu, aiieieu mamãe Oxum, aiieieu, aieieu mamãe Oxum; aiieieu mamãe Oxum, aiieieu Oxumare...” Essa é uma das jóias musicais presentes até hoje em nossas curimbas e esta entre outras demais é de autoria deste fantástico e versátil compositor chamado HEITOR DOS PRAZERES..

Heitor dos Prazeres nasceu em 23 de setembro de 1898 e morreu em 1966, natural da cidade do Rio de Janeiro, sua família era de descendentes de escravos , como as demais famílias de igual condição, tinham muitas dificuldades financeiras. Sua mãe era costureira e seu pai era marceneiro e clarinetista da Guarda Nacional.

O Pai de Heitor morreu cedo, deixando-o ainda criança com sua mãe e irmãos, não tendo mais seu pai para ajudar a prover sua família Heitor tinha como herança apenas o clarinete e o velho piano de seu pai, desta forma, Heitor passa a trabalhar, alem de estudar, para ajudar no sustento de sua família.

A família de Heitor teve a ajuda de parentes, dentre eles, seu tio, Hilário Jovino (Lalu de Ouro) que também era músico. O mesmo, ao ver a vocação musical dele, ajudou-o no mundo da música, passando a ensiná-lo o que sabia, levá-lo a apresentações e reuniões de músicos, alem de presenteá-lo com o seu primeiro cavaquinho.

No estilo de compor Heitor foi muito influenciado inicialmente pelo estilo do tio.

Naquele tempo o cenário musical do Rio de Janeiro fervilhava com lundus, choros, jongos, etc., sobretudo na praça XI, onde se concentravam a maioria dos descendentes de escravos, inclusive a família de Heitor que residia na região.

Heitor participava de tudo que fosse relacionado à música, e era levado por sua família a eventos que iam desde as reuniões na casa de Tia Ciata até sessões em terreiros, dentre outros. .

Nesse contato com a religiosidade afro-brasileira Heitor chega aos cargos de ogã-ilu e ogã-alabé, tendo não somente a capacidade de compor lindos pontos cantados, mas também fazer arranjos musicais com diversos instrumentos de percussão, além de tocar cavaquinho e clarinete..

Heitor foi um compositor fenomenal, pois fazia musicas dos mais variados ritmos e estilos , tendo sido parceiro musical de muitas estrelas de nossa musica, dentre elas, NOEL ROSA, aliado ao fato de ter sido autor de vários sucessos.

Na década de 30 começa a pintar telas retratando a vida boêmia carioca e o mundo do samba, participando de varias exposições, tendo seu trabalho reconhecido pelo publico.

Heitor continua e continuara por gerações encantando a todos nos terreiros com o legado musical afro-religioso que nos deixou.

Na sua discografia podemos citar como exemplo as seguintes obras , devido à musicalidade afro-religiosa :

Cosme e Damião/Iemanjá (1954) Columbia 78

Vamos brincar no terreiro/Nego véio (1955) Sinter 78

Pai Benedito/Santa Bárbara (1955) Columbia 78


REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS


LIRIO, Alba e PRAZERES FILHO, Heitor dos. Heitor dos Prazeres - Sua arte e seu

tempo. Rio de Janeiro: ND Comunicação, 2004.

VASCONCELLO, Ary. Panorama da Música Popular Brasileira - volume 2. Rio de

Janeiro: Martins, 1965.

http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?nome=Heitor+dos+Prazeres&tabela=T_FORM_A

http://www.heitordosprazeres.com.br/

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O PANO DA COSTA

O PANO DA COSTA
(Autores - Carlos Augusto Pinheiro dos Santos e Rosana Pinheiro )
Sempre que vamos visitar os terreiros de Candomblé e alguns terreiros de Umbanda que seguem uma linha mais africanizada, ficamos maravilhados com esta peça da indumentária religiosa afro-brasileira , chamada de PANO DA COSTA, que é um tecido colorido que normalmente envolve o corpo das mulheres a partir do peitoral. ,entretanto na forma denominada ALAKA , o pano da costa ganha um maior comprimento e envolve as mulheres dos ombros até aproximadamente a altura das canelas.

Em várias pinturas de Debret retratando escravos do inicio do século 19 e algumas fotos de escravos nos primeiros anos da fotografia no Brasil, vemos os mesmos usando essa peça de indumentária em suas vestes.

O termo pano-da-costa , passa a idéia de que o mesmo teve sua origem na costa africana, , de acordo com registros históricos, o mesmo vinha da costa ocidental ,assim como outros produtos que vieram para o Brasil, no entanto, todo tipo de produto que era importado da África, vulgarmente tinha acrescido ao seu nome o nome DA COSTA, por exemplo, sabão da costa , pimenta da costa, etc...

Há duas teorias em relação aos panos da costa no Brasil, a primeira diz que os primeiros panos da costa vieram para o Brasil enrolando os corpos das negras africanas trazidas para cá para serem vendidas no mercado escravo. A outra diz que as negras eram compradas praticamente nuas e que as que iriam trabalhar na casa grande como mucamas, seriam melhor vestidas , com trajes semelhantes aos usados pelos europeus para não prejudicar a imagem dos seus senhores, já as que iriam trabalhar fora da casa grande , seriam vestidas apenas com o pano da costa para cobrir seus corpos.

Mais precisamente o pano da costa constituia-se inicialmente de uma peça composta por quatro tiras de tecido colorido com 15 cm de largura produzidos artesanalmente em teares, costurados um ao outro manualmente , sendo suas cores de acordo com a cor do orixá de quem iria usá-lo , poderíamos dizer que ele tem a forma de um Xale retangular. .

Com o período da expansão árabe no território africano, o contato das populações africanas com os povos orientais que usavam tecidos enrolados em seus corpos como vestes , fez com que se formassem populaçoes africanas maometanas que sobre os rígidos padrões morais arabes, sentissem a necessidade de uma vestimenta africana semelhante para cobrir seus corpos, com isso começaram a trabalhar com peles animais , inclusive a lä , e couro, depois passaram a tecer com fibras vegetais tecidos (RAFIA ,vinda de Madagascar) e mais tarde através da colonização européia e a introduçáo da tecelagem de algodáo, passou-se a trabalhar com este material. Os tecidos africanos passaram a ser exportados para varias partes do mundo, inclusive o Brasil.

Dentre os povos africanos que mais se destacaram pela produção e uso de panos–da-costa, foram os Malés, africanos adeptos do islamismo, que também mantinham as crenças em suas divindades e escravos dessa nação habitaram em sua maioria na região Nordeste do Brasil .

Somente no século XVIII com o desenvolvimento dos primeiros teares no pais , é que passou-se a fabricar tecidos para a confecção do pano da costa no Brasil

Hoje em dia, um dos poucos terreiros que preserva a técnica e produz panos–da-costa , como era feito no século XVIII é o Ilê Axé Opô Afonjá através de sua pequena oficina mantem a tradição da fabricação artesanal em teares do pano-da –costa .

O Pano-da-Costa era chamado em Yorubá de ALAKÁ, creio que por isso chama-se também aquela vestimenta mais comprida que o abada de alaká, pela mesma fazer lembrar os panos-da-costa de maior comprimento , que encobriam quase todo o corpo da escrava.

Inicialmente o pano-da-costa foi usado como um vestuário barato para as escravas que trabalhavam fora da casa-grande , depois passou a ser um adereço do vestuário dos integrantes das irmandades negras, que surgiam para construir igrejas para os escravos rezarem e para darem funerais dignos a estes.; em ambos os caso as cores dos panos-da- costa eram escuros e pesados. Mas a grande revolução foi a incorporação deste adereço ao traje de baiana dos terreiros de candomblé, a partir daí ele ganhou vida, pois as cores do pano-da-costa passaram a ser vivas, sempre na cor do orixá principal de quem usasse , além de ser ornado com bordados, fitinhas e rendas em suas bordas, fazendo com que o traje de baiana ganhasse vida, quebrando a monotonia do branco, além de marcar a cintura da roupa, fazendo com que até hoje fiquemos maravilhados em ver uma gira tão bela em colorido, uma verdadeira aquarela da fé em nossos terreiros

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
CASA MUSEU DO OBJETO BRASILEIRO http://www.acasa.org.br/arquivo_objeto.php?reg_mv=OB-00565

TORRES, H. A.. Alguns aspectos da indumentária da crioula baiana. Cad. Pagu, Campinas, n. 23, Dec. 2004 . Available from . access on 08 Nov. 2009. doi: 10.1590/S0104-83332004000200015.

Lody, Raul Giovanni. Rio de Janeiro, Ministério da Educação e Cultura et al (Cadernos de Folclore, 15), 1977. 16p., photos, glossary, bibl., wrps Paperback On a traditional Black Brazilian female costume

LODY, Raul. Dicionário de arte sacra e técnicas afro-brasileiras. Rio de Janeiro: Pallas, 2003.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

VIDEO DO HINO DE ALMAS E ANGOLA

Amigos,
Posto abaixo a maravilhosa composiçáo de meu amigo GIOVANI MARTINS, intitulada HINO DE ALMAS E ANGOLA , que interpretei com muito carinho e postei no YouTUbe.
Para quem náo conhece, ALMAS E ANGOLA é uma ramificaçáo da Umbanda, surgida no Rio de Janeiro e amplamente praticada no sul do Pais.

AS POMBA-GIRAS NA UMBANDA

Como gostei muito desse artigo que achei no Orkut, resolvi reproduzi-lo na integra para compartilhá-lo com todos.

LAROIE EXU AMOJUBÁ!!! SALVE TODAS AS POMBAGIRAS



FONTE - COMUNIDADE DO ORKUT - CABOCLO MIRIM NA UMBANDA (
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=997760 )
TÓPICO DO FÓRUM - Pombagira na Umbanda
postado em 01.01.2007 pelo membro SANDRA NAVARRO


POMBAGIRA DE UMBANDA

Na Umbanda, a entidade espiritual que se manifesta incorporada em suas médiuns está fundamentada num arquétipo desenvolvido à partir da entidade Bombogira, originária do culto Angola.
Nos cultos tradicionais oriundos da Nigéria não havia a entidade Pombagira ou um Orixá que a fundamentasse.
Mas, quando da vinda dos nigerianos para o Brasil (isto por volta de 1800), estes aqui encontram-se com outros povos e culturas religiosas e assimilam a poderosa Bombogira angolana que, muito rapidamente, conquistou o respeito dos adoradores dos Orixás.
Com o passar do tempo a formosa e provocativa Bombogira conquistou um grau
análogo ao de Exu e muitos passaram a chamá-la de Exu Feminino ou de mulher dele.
Mas ela, marota e astuta como só ela é, foi logo dizendo que era mulher de sete exus, uma para cada dia da semana, e, com isso, garantiu sua condição de superioridade e de independência.
Na verdade, num tempo em que as mulheres eram tratadas como inferiores aos
homens e eram vítimas de maus tratos por parte dos seus companheiros, que só as queriam para lavar, passar, cozinhar e cuidar dos filhos, eis que uma entidade feminina baixava e extravasava o ‘eu interior’ feminino reprimido à força e dava vazão à sensualidade e à feminilidade subjugadoras do machismo, até dos mais inveterados machistas.
Pombagira foi logo no início de sua incorporação dizendo ao que viera e construiu um arquétipo forte, poderoso e subjugador do machismo ostentado por Exu e por todos os homens, vaidosos de sua força e poder sobre as mulheres.
Pombagira construiu o arquétipo da mulher livre das convenções sociais,liberal e liberada, exibicionista e provocante, insinuante e desbocada,
sensual e libidinosa, quebrando todas as convenções que ensinavam que todos os espíritos tinham que ser certinhos e incorporarem de forma sisuda, respeitável e aceitável pelas pessoas e por membros de uma sociedade repressora da feminilidade.
Ela foi logo se apresentando como a “moça” da rua, apreciadora de um bom champagne e de uma saborosa cigarrilha, de batom e de lenços vermelhos provocantes.
“O batom realça os meus lábios, o rouge e os pós ressaltam minha condição de mulher livre e liberada de convenções sociais”.
Escrachada e provocativa, ela mexeu com o imaginário popular e muitos a associaram à mulher da rua, à rameira oferecida , e ela não só não foi contra essa associação como até confirmou: “É isso mesmo”!
E todos se quedaram diante dela, de sua beleza, feminilidade e liberalidade, e como que encantados por sua força, conseguiram abrir-lhe o íntimo e confessarem-lhe que eram infelizes porque não tinham coragem de ser como elas.
Aí punham para fora seus recalques, suas frustrações, suas mágoas, tristezas e ressentimentos com os do sexo oposto.
E a todos ela ouviu com compreensão e a ninguém negou seus conselhos e sua ajuda num campo que domina como ninguém mais é capaz.
Sua desenvoltura e seu poder fascinam até os mais introvertidos que, diante dela, se abrem e confessam suas necessidades.
Quem não iria admirar e amar arquétipo tão humano e tão liberalizado de sentimentos reprimidos à custa de muito sofrimento?
Pombagira é isto. É um dos mistérios do nosso divino criador que rege sobre a sexualidade feminina. Critiquem-na os que se sentirem ofendidos com seu poderoso charme e poder de fascinação.
Amem-na e respeitem-na os que entendem que o arquétipo é liberador da feminilidade tão reprimida na nossa sociedade patriarcal onde a mulher é vista e tida para a cama e a mesa.
Mas ela foi logo dizendo: “Cama, só para o meu deleite e mesa, só se for regada a muito champagne e dos bons!
Com isso feito, críticas contrárias à parte, o fato é que o arquétipo se impôs e muita gente já foi auxiliada pelas “Moças da Rua”, as companheiras de Exu.
A espiritualidade superior que arquitetou a Umbanda sinalizou à todos que não estava fechada para ninguém e que, tal como Cristo havia feito, também acolheria a mulher infiel, mal amada, frustrada e decepcionada com o sexo oposto e não encobriria com uma suposta religiosidade a hipocrisia das pessoas que, “por baixo dos panos”, o que gostam mesmo é de tudo o que a Pombagira representa com seu poderoso arquétipo.
Aos hipócritas e aos falsos puritanos, pombagira mostra-lhes que, no íntimo, ela é a mulher de seus sonhos... ou pesadelos, provocando-o e desmascarando seu falso moralismo, seu pudor e seu constrangimento diante de algo que o assusta e o ameaça em sua posição de dominador.
Esse arquétipo forte e poderoso já pôs por terra muito falso moralismo, libertando muitas pessoas que, se Freud tivesse conhecido, não teria sido tão atormentado com suas descobertas sobre a personalidade oculta dos seres humanos.
Mas para azar dele e sorte nossa, a Umbanda tem nas suas Pombagiras, ótimas psicólogas que, logo de cara, vão dando o diagnóstico e receitando os procedimentos para a cura das repressões e depressões íntimas.
Afinal, em se tratando de coisas íntimas e de intimidades, nesse campo ela é mestra e tem muito a nos ensinar. Seus nomes, quando se apresentam, são simbólicos ou alusivos.

- Pombagira das Sete Encruzilhadas;
- Pombagira das Sete Praias;
- Pombagira das Sete Coroas;
- Pombagira das Sete Saias;
- Pombagira Dama da Noite;
- Pombagira Maria Molambo;
- Pombagira Maria Padilha;
- Pombagira das Almas;
- Pombagira dos Sete Véus;
- Pombagira Cigana; etc.

O simbolismo é típico da Umbanda porque na África, ele não existia e o seu arquétipo anterior era o de uma entidade feminina que iludia as pessoas e as levavam à perdição. Já na Umbanda, é o espírito que “baixa” em seu médium e, entre um gole de champagne e uma baforada de cigarrilha, orienta e ajuda a todos os que as respeitam e as amam, confiando-lhes seus segredos e suas necessidades. São ótimas psicólogas. E que psicólogas!
“Salve as Moças da Rua”!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

QUERER


QUERER
(autora - ROSANA PINHEIRO)

Da vida quero o bem, o progresso , a positividade , as amizades , as cançöes , a sinceridade das crianças , os anjos iluminados , a luz maior dos grandes mestres , o Sol sagrado , a sabedoria dos velhos , os doces mistérios , as palavras que abençoam , as flores que perfumam e me inspiram, a lua com a sua magia , o céu com todo o azul , a liberdade caminhando comigo , o mar com todo o encanto , a fé nos santos e orixás , a fé em mim , a caridade para a humanidade , todo o verde da natureza , toda a gratidäo e alegria por estar viva.
Esse é o querer que me tornará invencível.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

CONDUZA A SUA VIDA


CONDUZA A SUA VIDA COM MUITA ATENÇÃO
(Autora – Rosana Pinheiro )
Assim como os motoristas dirigem os carros, conduzindo-os bem ou feito loucos, nós também conduzimos ou desconduzimos a nossa vida, a nossa alma, o nosso corpo.
Muitas vezes seguimos por estradas perigosas que não nos levam a lugar nenhum, ou por atalhos que nos guiam para o próprio fim, não conseguindo assim, enxergar novos horizontes, caminhos de luz, estradas com menos buracos, com menos obstáculos, por que são na verdade caminhos da alma, traçados em nosso mapa interior.
Por isso peço a todos que diariamente pensem, reflitam bem ao dirigirem suas vidas, pára que evitem repetidos acidentes que poderão causar muitas vítimas e até mesmo causar a morte de alguém que não teve a sorte de meditar , de se descobrir.
Não viva com velocidade, não corra de si mesmo, não ultrapasse os sinais de Deus, não atropele o seu semelhante, não se choque com a vida.
Viva sem pressa de chegar, não corra, não morra ! Obedeça a voz do seu interior, saiba que suas estradas são os seus caminhos de luz, de felicidade , de amor e você se encontrará, basta acreditar, se respeitar e nunca se desesperar.