sábado, 6 de março de 2010

TRATAMENTO ESPIRITUAL EM TERREIRO DE UMBANDA PARA ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

Conforme a transcrição da noticia abaixo, concordamos com este tratamento, pois, sabemos que nossos queridos mascotes são mais sensíveis que nós as energias negativas , por conviverem conosco, muitas vezes acabam por absorverem as energias negativas presentes em nossas casas ou em pessoas presentes nelas.
Nada mais justo , que eles também possam desfrutar dos mesmos tratamentos espirituais que dispomos, uma vez que ao absorverem energias negativas, muitos deles adoecem e chegam a morrer.
Bjs com axé!!!
Rosana Pinheiro
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FONTE - Texto e Fotos do Jornal Bom Dia Bauru
( http://www.redebomdia.com.br/Noticias/Dia-a-dia/14154/Templo+de+umbanda+oferece+passe+para+cachorro+e+gato%3B+veja+fotos)


VOCÊ JÁ VIU ISSO?
Sábado, 06 de março de 2010 - 18:14

Templo de umbanda oferece passe para cachorro e gato; veja fotos
Donos dos animais apoiam a iniciativa

Sérgio Bento
Agência BOM DIA







O templo de umbanda Cacique Thunan ofereceu na tarde deste sábado uma atividade inusitada: o passe espiritual em cães e gatos.
A pintcher Jully, 8 anos, estava lá. “Ela anda agressiva, inclusive com pessoal de casa. Por isso resolvi experimentar esse tratamento espiritual”, diz a balconista Antonia Lopes, 49 anos. Belinha, 3, filha de Jully, também foi atendida.
O sacerdote Ricardo Barreira, que incorpora a entidade Pai Cipriano, diz que o passe ajuda a dissipar as energias que afetam negativamente a parte física e emocional dos animais.
A aposentada Nair Ferreira, 65 anos, disse que já havia submetido Angel, uma collie de 8 anos, ao passe e gostou do resultado. “Ela tem diabetes e vivia amuada, sem se alimentar direito. Após uma sessão, percebi melhora”, revela a aposentada. O templo orienta, no entanto, que cachorros continuem tratamento convencional com veterinários. A próxima sessão será em 3 de abril e também contemplará outros animais de estimação.
Saiba mais
Quando: todo primeiro sábado do mês, a partir das 16h
Onde: rua Luis Ferrari, 8-46 Parque das Nações
Telefone: (14) 9784-0128

Egbonmy Barrada Na Audiencia Publica do STF Sobre as Cotas Raciais Nas Universidades por Estar com Traje de Adepto do Candomblé


É lamentavel nos tempos atuais repassar uma noticia destas e ao mesmo tempo é irönico que num evento que tem por objetivo promover a igualdade e a justiça seja palco de tal ato de incoerencia , praticado por preconceito, ignorancia ou burocracia.
Cabe registrar , que por tradição todas as roupas dos adeptos do Candomblé sáo ornadas com esmero com miçangas, rendas, babados e etc, por respeito ao Orixá. Entre os adeptos do Candomblé existe uma coisa chamada preceito, pois dependendo de ter feito determinadas obrigações (oferendas), o adepto tem por respeito ao orixá o dever de usar o traje religioso por determinado tempo ou em determinados dias da semana. Creio que este foi o caso dessa senhora.
Outra coisa, creio que tanto ela ,como todos nós acreditamos na modalidade da audiencia, PÚBLICA, isto é, aberta a todos e não restrita ao publico pela forma de se trajar.
Deixamos aqui registrados os nossos parabéns a Egbonmy Conceição Reis de Ogum que além de ter o interesse de participar da realidade educacional do nosso país , não se furta em assumir sua religiosidade publicamente.
Forte Axé a Todos!!!
Rosana Pinheiro e Carlos Augusto Pinheiro
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FONTE - http://congressoemfoco.ig.com.br/noticia.asp?cod_canal=1&cod_publicacao=32075

EM 06-03-2010
Anticotistas Dizem que Debate no Supremo Teve Desigualdade


Egbonmy Conceição Reis de Ogum, 56, como ontem era sexta-feira, estava luxuosamente vestida de branco. Adepta do candomblé, ela escolheu o traje usado nas celebrações para ir, assim, à audiência pública realizada no Supremo Tribunal Federal, a respeito das cotas raciais nas universidades. Foi barrada quando tentava entrar.
Motivo: o segurança do tribunal não sabia como enquadrar nas exigências do protocolo a saia, a bata fechada, lenços e turbantes feitos de rico algodão bordado. Não era tailleur, tampouco calça comprida com blazer de manga comprida.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Lançamento do livro Inventário dos Terreiros do Distrito Federal e Entorno.

Amigos,

Vi esta notícia no jornal e achei importante publicá-la, pois considero mais uma vitória para as religiões de matriz africana.

fonte - Texto e fotos do Jornal o Correio Braziliense , reporter André Correa ( http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/03/01/cidades,i=176570/PELA+TOLERANCIA+RELIGIOSA.shtml )

Praça dos Orixás, na Prainha representa tolerância Religiosa.

Publicação: 01/03/2010 08:48 Atualização: 01/03/2010 10:12

Praça dos Orixás, na Prainha representa tolerância religiosa Local é palco de lançamento de um livro que, além de divulgar a variedade de cultos afro-brasileiros no DF, destaca a necessidade de legitimar a escolha de credos em um país que, afinal, tem na diversidade cultural uma de suas principais bases de formação


André Corrêa
Os tambores voltaram a tocar na Praça dos Orixás, na prainha ao lado da Ponte Costa e Silva. Eles celebraram o lançamento do livro Inventário dos Terreiros do Distrito Federal e Entorno, organizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) do DF. O trabalho tem o objetivo de dar maior visibilidade às religiões afro-brasileiras que atuam na região da capital federal, valorizar o patrimônio cultural desses grupos e desmistificar o culto de religiões com matrizes africanas.

O superintendente do Iphan no DF, Alfredo Gastal, lembrou que o Brasil é um país laico, portanto sem preferências religiosas; e que deve, por isso, criar mecanismos de inclusão no conjunto do patrimônio cultural brasileiro material e imaterial das diversas correntes religiosas atuantes no país. “É inegável a importância da religião católica no repertório de edificações tombadas pelo patrimônio histórico nacional, porém nós temos o compromisso de criar políticas no sentido de mostrar o trabalho de outras religiões que existem no Brasil”, alertou.

O encontro foi organizado para agradecer e mostrar o resultado do inventário aos dirigentes dos 26 terreiros identificados que abriram suas portas aos pesquisadores. Exemplares do livro foram distribuídos gratuitamente a todos os presentes. Mãe Railda, primeira mãe de santo a instalar um terreiro na região do DF, iniciou a cerimônia de lançamento do livro com o canto para Pai Xangô. Para ela, “é hora de
os terreiros saírem dos guetos e mostrarem a cara.” Trajando um típico vestido de rendas à moda baiana e paramentada com colares e pulseiras,

Mãe Railda aproveitou o encontro para oferecer acarajé, preparado por sua filha de santo, Laura Nascimento. Em pouco tempo, uma fila se formou ao redor da tenda da mãe de santo, que espera ter o seu terreiro tombado pelo Iphan. “Gastal prometeu que meu terreiro vai se transformar em patrimônio cultural de Brasília. Ele foi criado em 1969 lá em Valparaíso e, de lá para cá, vem atendendo a todos que precisam de apoio”.

Uma das principais reclamações dos adeptos da umbanda e do candomblé que participaram do lançamento do livro é a discriminação que sofrem quando manisfestam a sua preferência religiosa. E não é sem motivo. Exemplo disso foi a destruição, em 2002, de algumas das 16 estátuas dos orixás, instaladas na praça em frente à Prainha. O fato demonstra a intolerância por parte de outras correntes religiosas em relação ao culto afro-brasileiro.

Resistência
O trabalho de pesquisa do livro durou pouco mais de um ano, entre a identificação da necessidade de se fazer um mapeamento dos terreiros no DF e entorno, o trabalho de campo e a confecção da publicação. A pesquisa foi realizada pela ONG Associação Positiva de Brasília, e coordenada pelo doutor em educação Jorge Manuel Adão. As entrevistas foram feitas pelos pesquisadores Alexandre Pondes, Jarbas Renato Nogueira, Ada Dias Pinto e Tiago Gomes de Araújo. Destes, apenas o coordenador e Alexandre não são seguidores de nenhuma religião afro-brasileira — situação que, segundo Jarbas Renato, facilitou a receptividade dos pais e mães de santo.“Cheguei a pensar, no início, que o trabalho não poderia ser feito, porque houve uma certa resistência. Mas com o tempo, o trabalho foi sendo entendido”, lembrou Renato. Mesmo assim, o inventário não alcançou todos os terreiros do DF e do entorno. Por isso, uma segunda fase já está em execução e deve resultar em outra publicação, que irá integrar o calendário de comemorações do cinquentenário da inauguração de Brasília. Segundo o coordenador dessa segunda etapa, Marcelo Reis, a previsão é de que sejam identificados mais de 50 terreiros.
Para Astrogildo Maia de Freitas, 42 anos, que trabalha como vigilante no Banco Central e há 28 frequenta o terreiro Tenda Espírita Ogum Matinata, em Ceilândia, o inventário dos terreiros tira a sua religião do anonimato. “É preciso acabar com essa visão negativa que as pessoas têm da nossa religião.” Maia conta que sua função no terreiro é a de álabe — pessoa que coleta ervas para o preparo de banhos. “Quando
chegar em casa, vou me lavar, para tirar qualquer energia que possa prejudicar a mim ou à minha casa”, ensina.
Sentado à beira do lago, com sandálias de tiras brancas, brincos e piercing na sobrancelha, o estudante Igor Waldeson e seu amigo Danilo Freitas, ambos de 19 anos, observavam o movimento de barcos e pessoas brincando nas águas do Paranoá. Igor, que foi para o terreiro quando criança, sob a influência dos pais, acredita que o livro é “uma forma de dizer o que é o candomblé, e não como é. As pessoas ligam os
rituais, os tambores e tudo que acontece dentro do terreiro com coisas negativas, e isso não é verdade. É preciso mais respeito e inclusão na sociedade”, alerta.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O CANTO DOS ESCRAVOS


Este apaixonante e histórico Cd não pode faltar na discoteca dos adeptos dos cultos de matriz africana, bem como dos apreciadores da riquíssima cultura afro-brasileira.
Praticamente é uma viagem musical no tempo, que nos faz imaginar como foi a vida dos escravos no período colonial. Tudo isso , interpretado pelas lindíssimas e célebres vozes de Clementina de Jesus , Tia Doca e Geraldo Filme.
A primeira edição deste disco foi em forma de vinil em 1982 , pelo selo Marcus Pereira, mas com o tempo o disco ficou esgotado nos catálogos de venda , então em agosto de 2003 , o mesmo foi digitalizado e relançado em forma de Cd pelo selo Eldorado , sendo até hoje encontrado nos sites que comercializam cds.
Este disco, constitui-se num resgate histórico, fruto de pesquisa feita pelo filólogo Aires da Mata Machado que em 1929 transcreveu em forma de partitura vários cânticos dos escravos benguelas (Jongos, Vissungos e Ladainhas), através de seus descendentes que trabalhavam no garimpo na região de São João da Chapada (MG), conforme documentol em seu livro O NEGRO E O GARIMPO EM MINAS GERAIS ( Ed. José Olimpo – 1943), conseguindo não só registrar as músicas, mas também várias palavras africanas usadas no vocabulário da região com as respectivas traduções e suas influencias e contribuições para a cultura local..
Ao se ouvir o Cd , pode-se notar a riqueza rítmica trazida pelos povos africanos , além da criativa junção nas letras de termos africanos e termos de nosso idioma.; tudo isso acompanhado por ricos arranjos de percussão.
Para quem quiser curtir este incrível disco fica aqui a minha sugestão !!!!

Axé a todos!!!

Rosana Pinheiro

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

CARAMUJO AFRICANO TAMBÉM É UMA QUESTÃO DE SAÚDE EM NOSSOS TERREIROS



(Rosana Pinheiro e Carlos Augusto Pinheiro dos Santos)

Em vários cultos afro–brasileiros, sobretudo o Candomblé, o IBI (caramujo) é utilizado em oferendas, obrigações, ebós, etc.
De acordo com a dissertação de SILVA, as espécies mais usadas são chamadas de Ibi verdadeiro ou Aruá-do-Mato ( Psiloicus sp. E Megabulinus sp.), são espécies nativas do Brasil , que estão ameaçadas de extinção devido a caça e a destruição de seu ambiente.
Na falta destes, utilizava-se o Caramujo africano (Achatina Fulica), no entanto, este caramujo é um vetor de sérias doenças e mesmo assim encontramos comerciantes que por ignorância ou por inescrupulosidade os vendem em casas de artigos religiosos. Cabendo aqui o nosso alerta.
O caramujo africano (Achatina Fulica) pode transmitir uma série de doenças para o homem, sendo que as pessoas não devem manipulá-lo sem luvas, pois o simples contato pode causar o contágio.
No Candomblé, o caramujo africano é conhecido como Ibi, Cata-sol ou Boi-de-Oxalá.
Este animal pode ser encontrado em hortas, jardins, plantações e armazéns de grãos, terrenos baldios, valas,et, possuindo uma significativa resistência à seca e ao frio.
Este molusco foi introduzido no Brasil ilegalmente na década de 80 , como uma tentativa de substituir a baixo custo o escargot, mas depois descobriu-se que o sabor era horrivel e que o mesmo era vetor de doenças. Desta forma, os criadores decepcionados soltaram seus exemplares na natureza, os quais se adaptaram e se tornaram uma praga que ameaça nossa fauna e flora , além de tornar-se um problema de saúde publica.
O caramujo-africano é um molusco grande e escuro, com até 15 cm de comprimento e 200 gramas de peso. , de concha alongada e cônica marrom ou mosqueada de tons claros.com manchas claras. Ele não deve ser confundido com os moluscos brasileiros, os nativos aruás-do-mato (Megalobulimus sp) que têm importante papel ecológico, além de servirem de alimento e como matéria prima no artesanato dos índios. Eles têm a borda da abertura da concha espessa, enquanto que o caramujo-africano tem esta borda cortante.



DOENÇAS TRANSMITIDAS PELO CARAMUJO AFRICANO


A manipulação direta ou o contato com a secreção desses moluscos deixadas formado rastros por onde passam podem causar contaminação, pois dois tipos de parasitas perigosos são encontrados em sua secreção.
1- Angiostrongytus costaricensis, causador da angiostrongilíase abdominal (FORMA DE PERITONITE ), doença que pode resultar em morte por perfuração intestinal, peritonite e hemorragia abdominal. Os sintomas são dor abdominal, febre prolongada, anorexia e vômito.
2- Angiostrongylos cantonensis, causador da angiostrongilíase meningoencefálica humana (FORMA DE MENINGITE) , que tem como sintomas dor de cabeça forte e constante, rigidez na nuca e distúrbios do sistema nervoso.

Como solução, vejo somente a criação em cativeiro nos terreiros , com devida autorização do Ibama e orientação de biólogos, do Aruá do Mato ( Psiloicus sp. e Megabulinus sp)
Deve ser feita uma ampla campanha junto ao Povo de Santo, quanto aos riscos para a saúde da utilização do IBI AFRICANO (Achatina Fulica). em .seus rituais

PARA SABER MAIS SOBRE O CARAMUJO AFRICANO ENTRE EM CONTATO COM
• Disque-caramujo africano
Tel: (21) 2598-4380 ramal 124 - Instituto Oswaldo Cruz


FONTES CONSULTADAS

http://www.fazfacil.com.br/saude/caramujo.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Caramujo-gigante-africano
http://www.pmf.sc.gov.br/saude/noticias/caramujo_africano.htm
http://www.lagoasanta.com.br/saude/caramujo_africano.htm
http://www.cidadesdobrasil.com.br/cgi-cn/news.cgi?cl=099105100097100101098114&arecod=19&newcod=866
http://www.rio.rj.gov.br/defesacivil/caramujo.htm
SILVA, Maria da Conceição da. CONHECIMENTO CIENTÍFICO E O SABER POPULAR SOBRE OS MOLUSCOS NOS TERREIROS DE CANDOMBLÉ DE
RECIFE E OLINDA, ESTADO DE PERNAMBUCO. PARAIBA. UFPB, 2006)
( http://www.biblioteca-acaoeducativa.org.br/dspace/bitstream/123456789/367/3/Maria_Conceicao_Silva.pdf )

domingo, 21 de fevereiro de 2010

EXU NA KIMBANDA




Amigos,
Achei o texto abaixo no site da FIETRECA, e considero interessantissimo para entendemos mais sobre a querida entidade chamada EXU e a realidade histórica das origens dos cultos afro-brasileiros . Abaixo a trancrição do mesmo
EXU NA KIMBANDA TRANSCRITO DE http://www.fietreca.org.br/kimbanda.htm
A Lei da Kimbanda vem dos bantos, dos povos Angola-Congo. A “misturança”, ou ainda podemos dizer “sincretismo” entre o Exu-iorubá, os Ngangas e Tatás (almas de chefes kimbandeiros das nações bantas) foi o que deixou esse ar de confusão no povo, que muitos até mesmo sendo "feitos na kimbanda", não entendem, ou o que é pior, tratam-no de diabo. Na verdade, o Exu da kimbanda não é o Exu-Iorubá (Orixá ou Imalé dessa cultura). Os Espíritos que chegam na linha da kimbanda são espíritos de Ngangas ou Tatás, aqueles que quando encarnados na terra eram sacerdotes bantos adoradores de algum Nkisi ou Npungu. No Brasil, o culto aos Npungus e Nkisis através dos seus mensageiros – os Ngangas - foi misturado na escravidão com o culto aos Encantados e aos pajés (da cultura tupi-guarani) e também com o dos Iorubás, surgindo os seguintes novos cultos, fruto da miscelânea: Makumba - que vem de "ma-kiumba" (espíritos da noite). Foi assim chamado o mais primitivo culto sincretista no sul do Brasil (e o primeiro originado no Brasil), dada sua maior preponderância banto; é dela que descendem os outros cultos afro-brasileiros com influência das nações Angola-Congo, Tupi-guarani, Nagô e a Igreja, nessa ordem.

A razão de se chamar makiumba (logo após por deturpação da palavra ficaria makumba ou macumba) foi justamente, porque é um culto que se faz na noite, onde se deveriam chamar necessariamente os espíritos da noite (almas de outros sacerdotes do culto - Eguns ou Ancestrais). No culto iorubano-nagô conhece-se e rende-se culto aos Ancestrais-Egun, porém eles são afastados dos rituais aos Orixás, tentando ter um contato com outro tipo de energia. Isto contribuiu para que os rituais onde se chamavam os eguns fossem menosprezados, tratados pejorativamente e mal interpretados.

Por outro lado, a Igreja também condenava os cultos com influência índio-banto onde se fazia beberagem e supostamente “orgias”.

Na verdade, as danças bantús eram no Brasil e ainda são na África, bastante eróticas, e também é verdade que os Guias bebem e fumam, porém é muito distante de ser uma orgia ou uma bebedeira. Depois, quando os grupos de nações começaram a procurar sua identidade, dividiram-se os principais componentes da makumba, aparecendo: Candomblé de Angola; Candomblé de Congo; Candomblé de Caboclo ou dos Encantados; Catimbó; - todos eles à procura de uma raiz cultural - e também, ao final do século XIX surgem da macumba urbana, (onde se tinha muita participação dos brancos pobres e os descendentes de escravos) a Umbanda e a Kimbanda com influências para o Espiritismo e com muito sincretismo. Na Kimbanda, permaneceu grande parte do culto aos Ngangas da nação Angola-Congo, porém misturado com o diabo (pelas influências dos mitos e tabus dos próprios integrantes - que não tinham conhecimento das origens) e também embaixo do pé do Orixá Iorubá Exu.

Na Africa em terras bantas, muito antes de chegada do branco, já existia o culto aos ancestrais (chamados depois no Brasil "guias"). Também era conhecida a palavra "mbanda" (umbanda) significando "a arte de curar" ou "o culto pelo qual o sacerdote curava", sendo que mbanda quer dizer "O Além - onde moram os espíritos". Os sacerdotes da umbanda eram conhecidos como "kimbandas" (ki-mbanda = comunicador com o Além).

Quando chegam os portugueses e têm contato com os reinos bantos, procuram comerciar com eles de um jeito pacífico. Mais tarde, o Rei do Kongo (manikongo) descendente do primeiro ancestral kongo divinizado o “Tatá Akongo” converte-se ao catolicismo, também fazem o mesmo todos os seus vassalos. Pôde-se apreciar então, que os negros bantos eram evangelizados ainda na África, por vontade própria, fazendo eles mesmos, em sua terra, sincretismos entre Santos e Nkisis.

Porém, uma parte banta não aceitou, nem adotou a evangelização, então tramaram uma revolução contra do rei do Congo para se mostrarem opostos ao homem branco e os Santos, começaram a dizer que eram do Diabo. Esses povos bantos eram os Bagandas, Balundas e Balubas.

Depois de um tempo os Bagandas em revolta conquistaram a região de Angola e logo após quase todo o reino congo (que era formado por vários reinos vassalos). Um dos reis Bagandas foi Ngola Mbandi, de onde provém o nome de Angola. Esses revolucionários estavam apoiados pelos grandes feiticeiros e guardiões das tradições bantas. Sua bandeira era formada pelas cores da tribo dominante: vermelho e preto (muito depois seriam as cores de Angola). Os Luba-Lunda, que ajudavam na guerra em contra os brancos e os reinos congos evangelizados usavam na bandeira as cores vermelha, preta e branca.

Devemos também dizer que depois de muito tempo de paz entre portugueses e congos, um dos descendentes do Rei do Congo para não perder o reino, decidiu se unir ao pensamento das outras tribos, pegando novamente seu nome africano e declarando a guerra contra os portugueses, aliando-se com o resto dos povos bantos.

Os portugueses por seu lado, levaram-se milhares de escravos bantos para o Brasil, e entre eles se encontravam partidários dos dois grupos bantos: os evangelizados e os defensores das tradições. Este último grupo, já no Brasil, continuou em estado de revolta, contrário a tudo que vinha do branco, e também em parte "inimigo" dos escravos feiticeiros que sincretizavam os Nkisis com os Santos.

No período da escravidão, os bantos dos dois grupos (revolucionários e evangelizados) fazem contato com os grupos tupi-guaranis, sendo que também entre os índios, havia dois grupos com afinidade aos grupos bantos: índios bruxos que não aceitavam os santos (se identificando com o diabo) e os índios evangelizados que gostavam da idéia do sincretismo dos santos. Esses grupos se uniram para fazer suas magias em separado, quer dizer, os negros bantos contrários ao branco e aos santos com os índios bruxos; e os negros bantos evangelizados com os índios evangelizados.

Daí o surgimento de duas correntes paralelas e opostas que seriam conhecidas no Brasil como Umbanda - o culto dos caboclos e pretos evangelizados; e a Kimbanda - o culto dos caboclos e pretos que não aceitaram viver em baixo do pé do Deus dos brancos, se aliando ao Diabo (inimigo do branco) e com Exu (aquele que também era olhado como um demônio).

Aliás, temos dizer que, com o passar do tempo, quando morrem os escravos dos dois grupos, estes são chamados e incorporados através de transe por seus descendentes, a princípio na Macumba e logo depois na Umbanda. Porém, os espíritos chegavam todos num mesmo terreiro sem tanta diferenciação e até confundindo os grupos. O que os descendentes de escravos menos queriam era de serem chamados de satanistas ou macumbeiros, por isso colocaram aos grupos revoltosos em baixo do pé dos grupos evangelizados e a Kimbanda ficou sendo uma sub-linha da Umbanda. Porém os próprios Espíritos se encarregaram de fazer a separação e hoje em dia podemos dizer sem dúvida que existem duas religiões paralelas e diferentes: a Umbanda - aonde chegam os Espíritos Guias dos Pretos e Caboclos evangelizados, vestidos de branco, humildes, que acreditam nos santos e os orixás, onde não se fazem sacrifícios de animais, que não fazem o mal, etc, e a Kimbanda - aonde chegam os Espíritos Guias dos Pretos e Caboclos que trabalham para bem ou mal, com sacrifícios de animais, luxo, orgulho, revolução e que não acreditam nos Santos da Igreja, defensores de tudo o que seja africanismo, e aceitam os Orixás e Nkisis.

Cabe dizer, que os seguidores dos distintos ramos da umbanda, adotam e adaptam as duas linhas (umbanda-kimbanda) segundo os preceitos e as influências majoritárias da sua Casa de Religião. Por exemplo, aqueles que fazem Umbanda Branca (sem sangue) colocam a kimbanda em baixo da mesma e continuam sem praticar sacrifícios de sangue para os Exus. Aqueles que fazem culto aos Orixás iorubás e também praticam a Umbanda, dadas às influências iorubanas, olham na Umbanda como na Kimbanda um culto aos ancestrais (ou Linha de Almas) submetidos aos Orixás, fazendo para os ancestrais rituais de sacrifícios (princípio fundamental dessa cultura).

Hoje em dia podemos dizer que a Kimbanda se libertou da Umbanda, existindo um culto separado só para Exu da Kimbanda e fora do contexto umbandista.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

HEITOR DOS PRAZERES UM COMPOSITOR DE AXÉ

HEITOR DOS PRAZERES UM COMPOSITOR DE AXÉ

((Rosana Pinheiro e Carlos Augusto Pinheiro )

Quem nunca ouviu no terreiro aquele popular ponto da Oxum , intitulado como Mamãe Oxum : “Ai ieieu, aiieieu mamãe Oxum, aiieieu, aieieu mamãe Oxum; aiieieu mamãe Oxum, aiieieu Oxumare...” Essa é uma das jóias musicais presentes até hoje em nossas curimbas e esta entre outras demais é de autoria deste fantástico e versátil compositor chamado HEITOR DOS PRAZERES..

Heitor dos Prazeres nasceu em 23 de setembro de 1898 e morreu em 1966, natural da cidade do Rio de Janeiro, sua família era de descendentes de escravos , como as demais famílias de igual condição, tinham muitas dificuldades financeiras. Sua mãe era costureira e seu pai era marceneiro e clarinetista da Guarda Nacional.

O Pai de Heitor morreu cedo, deixando-o ainda criança com sua mãe e irmãos, não tendo mais seu pai para ajudar a prover sua família Heitor tinha como herança apenas o clarinete e o velho piano de seu pai, desta forma, Heitor passa a trabalhar, alem de estudar, para ajudar no sustento de sua família.

A família de Heitor teve a ajuda de parentes, dentre eles, seu tio, Hilário Jovino (Lalu de Ouro) que também era músico. O mesmo, ao ver a vocação musical dele, ajudou-o no mundo da música, passando a ensiná-lo o que sabia, levá-lo a apresentações e reuniões de músicos, alem de presenteá-lo com o seu primeiro cavaquinho.

No estilo de compor Heitor foi muito influenciado inicialmente pelo estilo do tio.

Naquele tempo o cenário musical do Rio de Janeiro fervilhava com lundus, choros, jongos, etc., sobretudo na praça XI, onde se concentravam a maioria dos descendentes de escravos, inclusive a família de Heitor que residia na região.

Heitor participava de tudo que fosse relacionado à música, e era levado por sua família a eventos que iam desde as reuniões na casa de Tia Ciata até sessões em terreiros, dentre outros. .

Nesse contato com a religiosidade afro-brasileira Heitor chega aos cargos de ogã-ilu e ogã-alabé, tendo não somente a capacidade de compor lindos pontos cantados, mas também fazer arranjos musicais com diversos instrumentos de percussão, além de tocar cavaquinho e clarinete..

Heitor foi um compositor fenomenal, pois fazia musicas dos mais variados ritmos e estilos , tendo sido parceiro musical de muitas estrelas de nossa musica, dentre elas, NOEL ROSA, aliado ao fato de ter sido autor de vários sucessos.

Na década de 30 começa a pintar telas retratando a vida boêmia carioca e o mundo do samba, participando de varias exposições, tendo seu trabalho reconhecido pelo publico.

Heitor continua e continuara por gerações encantando a todos nos terreiros com o legado musical afro-religioso que nos deixou.

Na sua discografia podemos citar como exemplo as seguintes obras , devido à musicalidade afro-religiosa :

Cosme e Damião/Iemanjá (1954) Columbia 78

Vamos brincar no terreiro/Nego véio (1955) Sinter 78

Pai Benedito/Santa Bárbara (1955) Columbia 78


REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS


LIRIO, Alba e PRAZERES FILHO, Heitor dos. Heitor dos Prazeres - Sua arte e seu

tempo. Rio de Janeiro: ND Comunicação, 2004.

VASCONCELLO, Ary. Panorama da Música Popular Brasileira - volume 2. Rio de

Janeiro: Martins, 1965.

http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?nome=Heitor+dos+Prazeres&tabela=T_FORM_A

http://www.heitordosprazeres.com.br/